Jacobina: Português poderá assumir gestão do Hospital Regional
A tentativa da AJA - Associação Jacobinense de Assistência em solucionar o impasse político com a atual gestão municipal, colocando o empresário e administrador hospitalar Reinaldo Mansur à frente do Hospital Regional Vicentina Goulart de Jacobina não surtiu efeito prático nenhum. O nosocômio continua acumulando dívidas, sobretudo com o quadro funcional que está há quatro meses sem receber salários, causando tremendo mal estar para quem trabalha e seus familiares, além do sentimento de frustração e impotência da comunidade diante da ausência de solução para o imbróglio. As portas do hospital continuam abertas, mas para o atendimento conveniado e particular, uma vez que o prefeito Rui Macedo (PMDB) mantém-se irredutível em sua posição inicial, segundo o qual a prioridade legal para investimentos dos recursos do SUS - a prefeitura e fundo municipal de saúde são gestores plenos dos recursos - será o Hospital Municipal Antônio Teixeira Sobrinho. A alegação é mero pano de fundo para suas pretensões inconfessáveis de tornar o Hospital Regional inviável e recebe-lo como prêmio de sua ardil manipulação.
O alcaide diz, peremptoriamente, que o HRVG tem que colocar no papel quais são os serviços médicos e hospitalares que pode oferecer e a prefeitura vai analisar o que necessita para comprar. Enquanto isso, o lenga-lenga se arrasta a nove meses sem que as partes efetivem um acordo que, aliás, já consumiu diversas reuniões e audiências públicas intermediadas pelo Ministério Público Estadual. Demonstrando um aparente jogo de tentar ganhar tempo e vencer pelo cansaço, o prefeito Rui Macedo tem contratado os serviços médicos complementares de empresas sediadas fora do município, a exemplo da Coofsaúde da cidade de Feira de Santana, que abocanhou a fabulosa quantia de R$ 12 milhões anuais para terceirizar os serviços de atendimento nos postos de saúde do município. Somente com o aluguel do imóvel que abriga a Policlínica Carlos Daltro, a prefeitura paga estratosféricos R$ 9 mil mensais. Fomos informados que até mesmo os serviços funerários prestados às famílias carentes também foram entregues à terceiros. Pelo que se observa, a administração municipal vem demonstrando grande "benevolência" para com poucos em detrimento de sérios prejuízos de uma população inteira. O discurso do proferido pelo prefeito é de um verdadeiro "pai dos pobres", enquanto na prática mostra-se uma tremenda "mãe dos ricos".
Mas, no meio de toda essa disputa de privilégios e poder às custas do erário, surgem novas e alvissareiras notícias de uma alternativa que tire o Hospital Regional dessa crise. Está em curso uma negociação entre a AJA e o grupo que administra a rede filantrópica do Hospital Português, que já realiza um excelente trabalho de gestão junto à Santa Casa de Misericórdia da vizinha cidade de Miguel Calmon. Com a intermediação do Secretário Estadual de Saúde, Jorge Solla, uma equipe do Hospital Português esteve visitando as instalações do HRVG, deixando boa impressão sobre as condições físicas, mobiliária, estrutural e de equipamentos. Com a eventual gestão a cargo do Hospital Português, o HRVG teria meios de sobrevivência que não dependeria umbilicalmente dos recursos municipais, assim, agindo com total profissionalismo e independência nas ações de saúde, tanto para a rede particular e conveniada como para os serviços públicos. Segundo fontes seguras, o secretário Jorge Solla tem deixado claro que todas as promessas de UTI, UPA, LACEN e outros, somente virão para Jacobina depois de resolvido o impasse do HRVG, pois o seu pleno funcionamento é situação imprescindível.
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Por Maurício Dias | Foto: Reprodução







